Pintora Eleonore Koch é retratada em filme inédito de Jorge Bodanzky


Vida e obra da artista são esmiuçadas em documentário inédito que estreia no 29º Festival É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários

Eleonore Koch (1926-2018) – para os amigos “Lore” – foi uma pintora alemã de origem judaica, refugiada no Brasil com a família aos doze anos de idade. Ficou conhecida por ter sido a única discípula do pintor Alfredo Volpi, com quem aprendeu a técnica da pintura à têmpera. Sua vida e obra são retratadas no documentário inédito As cores e amores de Lore, dirigido por Jorge Bodanzky (82), que estreia no 29º Festival É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, com exibições nos dias 12 de abril, em São Paulo, e 13 de abril, no Rio de Janeiro.

O cineasta registrou os últimos 5 anos de vida da pintora, que trabalhou com a sua mãe, Rosa Bodanzky, na livraria Cosmos, em São Paulo, na década de 50. Interessado em ouvir sobre sua mãe, o diretor acabou por captar mais de 15 horas de conversas com a artista, em que ela falou sobre sua pintura e sobre os seus diversos casos amorosos, abordando temas profundos como sexualidade, feminismo, amadurecimento e solidão. ”Lore é uma personagem fascinante. Ela teve uma vida intensa, marcada por muita liberdade, como poucas mulheres de sua geração. A intenção do filme não é construir um apanhado biográfico ou histórico da artista, mas compor um retrato sensível e contemporâneo de seus pensamentos ao final da vida”, relata Bodanzky.

O documentário se passa na casa da artista, em longas conversas e registros cotidianos em torno do armário de tintas, na companhia de suas telas, pincéis, livros e da correspondência que trocou com uma série de personalidades importantes da cultura brasileira: Jorge Amado, Paulo Emílio Salles Gomes, Theon Spanudis, Mário Schenberg, entre outros.


Lore em seu apartamento no Rio de Janeiro, década de 1960

Após o seu falecimento, em 2018, Lore deixou ao diretor Jorge Bodanzky a incumbência de terminar o filme sozinho. Para isso, pediu que fosse entregue a ele toda a memória guardada de uma vida inteira: fotografias, cartões-postais, cadernos de estudos e as cartas trocadas com amigos, amantes e familiares. E ainda quatro décadas de diários íntimos (1976-2011), em que escreveu compulsivamente sobre sua pintura, seu cotidiano e sua vida amorosa. “Em sua vida, Lore se dividiu entre as pinturas e os amores. Nunca se casou e não teve filhos, tendo escolhido a independência para se dedicar inteiramente ao trabalho. Acredito que o mundo tenha mudado um pouco nesse aspecto para as mulheres de hoje, mas para ela foi uma escolha de vida. Daí o título do filme ‘As cores e amores de Lore’”, explica o cineasta.

Com produção, roteiro e montagem de Bruna Callegari, o filme levou cerca de dez anos para ficar pronto, tendo a coprodução da Spcine e o patrocínio da Galeria Almeida & Dale: “Comecei a receber o material bruto na sequência em que era filmado, ainda em 2013. Bodanzky trazia para a ilha de edição e íamos assistindo sem um roteiro definido. Desde início, surpreendeu-me o valor íntimo das conversas entre eles e logo entendi que o diretor também seria personagem do filme. O amadurecimento da montagem só foi possível com o passar do tempo. Embora apresente um riquíssimo material visual, acredito que o filme convide o espectador a uma escuta ativa e sensível.”, conta a montadora, que trabalhou nos últimos 3 longas do diretor.

As cores e amores de Lore tem previsão de lançamento comercial em 2025, distribuído pela Embaúba Filmes.

Diretor Jorge Bodanzky em cena do filme na exposição de Lore na Bienal de São Paulo


Sessões no 29º Festival É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários

São Paulo:
SP: 12/04 – Itaú Augusta – 18:00
com reprise no 14/04 – Cinemateca SP – 19:30

Rio de Janeiro:
RJ: 13/04 – Net Botafogo RJ – 18:00
com reprise no 14/04 – Net Rio RJ – 15:00

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